Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
de(ambular) por aí e olhar as ruas vazias de gentes e as paredes nuas onde o amor se inscreve em letras apressadas o corpo pede o descanso de outro corpo a mão a concha de outra mão sms baby sms um abraço em braços de invisíveis dedos pele teclada send now lonjura save as draft escorrer nestas letras que a alma acabará por se fixar por aí numa qualquer parede de uma qualquer cidade de um qualquer mundo pode até ser este aqui. tag. sombra. tag. sombra. o meu corpo desenha-se na curva do teu ombro tag amos tag amos o meu corpo é technicolor corpo teu sabores mixados copy edit paste
a imposição de ter nascido no dia dezassete de agosto de mil novecentos e setenta e sete
sei a imposição a transgressão com' baby let's bomb uma sky line giraffiti em qualquer mansarda em qualquer castelo desses mesmo podem ser de areia escorro-me pelos dedos alojada num servidor marado marado stop tag samo amos ho nel l'anima uma insana ave de voo rasante asas de cristal líquido veias de font verdana size. normal size. ponto. tag samo. amos. sombra. a imposição de ter nascido nesse dia em que a guerra era negrito era negrito carrego às costas a imposição de ter nascido ponto black is beautiful white fresh colgate transgressão o amor é em stickers demodé span span strong stick to me post it
ChorusI just wanna love you for the rest of my life, (obie trice)Wanna hold you in the morning, (I luv’a burnish the monies, the bunnies)Wanna hold you in the night.. (I just wanna hold youI just wanna love you for the rest of my life, (obie trice)Wanna hold you in the morning, (I just wanna hold you)Wanna hold you in the night..
agora vai que eu grito assim em letras arrancadas às tripas onde foi merda onde foi que esta merda se escreveu que devia ser assim quem foi o cabrão que usou o meu tag quem foi wanna fly away e estas asas de chumbo a intoxicar-me os pulmões desfazem-se em sctoch brite demasiado uso demasiado fumo e volatilizo-me voo rasante garra presa tag fónix uma ardência sem format reset lost in transladação e zoom japonese girls like pucca dolls e eu aperto estas asas em gaze amor em dedinhos do pé baby não é o fim do mundo é só mais um bocadinho de terra o sol ofusca-me foto foto sensível stop tag ki.mona. tag fotopucca pouco sabe-me a pouco sabe-me a pouco

digo tag sombra e bombo multicolor o meu corpo todo nesta parede nua nesta imensa wall baby o meu corpo moldado entre os teus braços back to back daqui desta terra até aí nessa vida tão tão grande neste mundo os olhos são screens savers de pedras onde o céu descansa e se marca numa outra caligrafia vês a crew está toda cá e agora let´s party amo-te e rasgo com uma linha esta cal viva foda-se que é interdito foda-se que é interdito
Chorus 2x
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum..
porra tanta gente porra tanta gente o metro em quilómetros a linha entupida ic dezanove em carris de ferro alumínio e plástico tenho os olhos prenhes de tanta loja de conveniência after all um euro vale mais que duzentos paus e a gente esburaca os bolsos para comprar essa identity card esse passe mas try later server is busy deus em sms de fim de mundo o people tá todo louco por um lugar na crowd you2 eu não porra baby eu nÃO
a gente vai mas vagabundear por aí dormir num qualquer buraco cobertor de mim cobertor de ti foder esta verdade toda a noite toda fazer do corpo uma entrada directa para o jardim das delícias quero lá saber baby se os gajos vêm aí a gente está mimetizada na parede amo-te em letras de pingos escorridos e sangue e suor e tanta tanta saliva que troco por todas latas de todas as cores do mundo stop tag gemelar eco samo amos vou morrer com esta overdose de beleza vou afogar-me nesta água dos teus olhos bombar bombar o teu corpo em ar soprado difícil respirar difícil um heavens piece vamos mas é trepar por esta escada vai dar lá acima águas furtadas stop éden tag paradise ain't it just beautiful back to back writing clandestine tanger tangerina é também o cheiro dos jardins de verão e do sémen colando os corpos de adolescentes em fúria descobrir é uma revolução. sempre
[doctor] scalpel
[nurse] here
[doctor] sponge
[nurse] here
[doctor] wait.. he’s convulsing, he’s convulsing!
[nurse] ah!
[doctor] we’re gonna have to shock him!
[nurse] oh my! oh my god!
[doctor] we’re gonna have to shock him!
[nurse] oh my god!
godspeed e godfather e tanta tanta gente em god i rely shame on you shock xoque username necessário quadrículas em desmaiada pequenez tê um tê dois o sub(ser)urbano subservi(v)ente eu quero é doses de massive attack do disney channel em banda larga e acabar com esta merda toda em questões de nanosegundos épá merda perdi-me nos links back to back em templates rosa xoquing pucca girl likes gucci boy ain't they sweet merda que vómito súbito em harmonets engolidos à pressa o amor é uma fodida camisa de forças o amor é uma fodida camisa de forças e eu práqui voando voando raso este ninho de cucos em madrugadas iguais às madrugadas iguais onde foi que perdi a porra do link pandora plumcake noise e tanta tanta gente o barulho ensurdecedor destes caps das latas entrexoxadas choca-me um ovo um de serpente para comer esse pomo esse teu fruto mais recôndito esse fruto doce doce dos teus lábios a redenção à mão ona. tag nismo a gente masturba-se três dedos de chat e raios que me vim raios que me vim precoce(ira) nem e(i)ra nem (a)beira há qualquer coisa de sétimo céu neste prédio de okupas sem elevador e já te disse o meu name baby não cabe no teu name tranfuso-me me em baltasares blimundas a minha natureza é mesmo do mal em novos voos sobre catedrais e pocilgas a vida é larga e eu quero respirar o mesmo ar não a vaca nem o badalo o meu corpo é visível delarte na extensa madrugada tenho as mãos vazias e há tanto tanto noise for mind que acho mesmo que as coisas que escrevo são apenas uma forma de fazer conversa de xaxa e estar fora do mundo longe da multidão arranjar tempo para (re)criar as coisas de universos desfeitos e mundos de peters em busca do porra do pan e eu tenho uma criança por nascer na minha alma acho mesmo que vou é comer as torrradas e provar o talento da mediocridade arranjar tempo para fazer um pé de meia e deambular por aí feita street guru pintando pão na boca das paredes e inventando outro lado para os espelhos e para os labirintos e gritar merda merda fodasse dois esses são sempre melhor que um hífen um hímen separando os dias das noites fly baby fly away with me
vamos bombar na alexander platz e gritar pelos unknown poets esses viajantes essas libéluas de novas babylónias e talvez a letra
seja
um acaso stop confissões stop faz-te à estrada stop worried warrior. foda-se é interdito. fo-da-se. assim tá-se bem.
Eu até tentei compreender o "ãh", mas quando eu falei do "Be" ninguém tentou me entender
É porque pra eles é o "ãh", tem que ser o "ãh, e pelo jeito vai ser "ãh" a vida toda
Se você quiser saber, depois do B vem o C, vem o D, vem o E, vem o F e com o F eu digo "Foi..."
Por isso eu digo "ãh"
Everybody say "ãh"
Se todo mundo fala "ãh"
Então eu digo "Be"
Por isso eu digo "ãh"
Vem dizer comigo "ãh"
Se todo mundo fala "ãh"
Então eu digo: Fodasse.

I scrutinize every word, memorize every line
I spit it once, refuel and re-energize and rewind
I give sight to the blind, my insight through the mind
I exercise my right to express when I feel it's time
It's just all in your mind, what you interpret it as
I say to fight, you take it as I'mma whip someone's ass
If you don't understand, don't even bother to ask
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum, tahh-dum.. ta-dah-da
Dum..
Chorus (
ancient words written on an ancient wall, digo eu )
I just wanna love you for the rest of my life, (obie trice)
Wanna hold you in the morning, (I luv’a burnish the monies, the bunnies)
Wanna hold you in the night.. (I just wanna hold you
I just wanna love you for the rest of my life, (obie trice)
Wanna hold you in the morning, (I just wanna hold you)
Wanna hold you in the night..
bunnies. funnies. runnies. fly away comigo baby qu'esta merda não tarda a rebentar e eu só quero é morrer com essa hiperlink de beleza carreirinha branca em espelho de mim e explodir neste céu nesta cidade nesta calçada como basalto importado das serranias e plantado no espanto da multidão de passos de passos de passos senhor dos meus passos dos meus dias dos meus espaços a line uma cor uma parede e todas palavras serão esse manifesto público deAll I need’s a line but sometimes,
I don’t always find the words to rhyme,
To express how I’m really feeling at that time,
Yeah sometimes, sometimes, sometimes, just sometimes,
Its always me, how dark can these hallways be,
The clock stikes midnight, 1, 2, then half past 3,
This half ass rhyme with this half ass piece of paper, (tear)
I’m desperate at my desk if I could just get the rest,
Of this shit off my chest, again, stuck in this slum,
Cant think of nothing, fuck I’m stumped,
But wait here comes something
Just a whisper, whisper, whisper, whisper (x2)
tag tuga por el . in memoriam samo. amos. sombra.
Eu vou lhes dizer aquilo tudo que eu lhes disse antesPrefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
yeah.
crew: ney matogrosso em plumas multicolor, enimem com capital caps, coldplay de hot lyrics, gabriel o pensador, fotos da catedral do
ognid, the man e bombing de blimunda e
baltasar. wall of fame april. street fucking. table dinner. cable sinner. fast food in memoriam de jean michel basquiat, street guru de asas de fogo. todas as palavras podem ser devassadas.
O inferno, aqui. Deve ser normal.
Um choro de criança, no andar
de cima, sobrepõe-se à música
que não ouço e que é talvez de Brel
(nenhum quarteto de Mozart serviria agora)
Há dias assim. Os guindastes
da insónia não seguram a voz, desastre
anunciado pela teimosia de pássaros
suburbanos. Coisas de muito esquecer,
se eu pudesse. Mas o corpo hesita,
volta a ser o envelope vazio
de um destino por assinar - e que
nada tem, neste momento, de «literário»,
Sinto a luz na garganta, sufoco
discretamente, alheio ao excesso
de imagens que me traz o dia.
A alegria, se quiserem, fica para mais
tarde. Aqui, de novo, morre-se muito mal.
manuel de freitas, terceiro direito,
poesia inédita portuguesa
2. não há aqui nada de novo
às vezes cresce-nos no corpo uma coisa assim a que damos o nome de é o tempo do tempo. é uma coisa madura e nem sempre vem com o sossego dos frutos de verão. como as nêsperas. ou como a preguiça das nêsperas que eu colhia só de esticar uma mão. no tempo só de me estender no topo de uma árvore, os meus irmãos para ali, o verão quente e cheiroso. a tempo de tempo. não. para madurar, ao invés, o corpo rasga-se em carnes avermelhadas e grandes. e dói a carne assim quase como dói um fruto a quem os pássaros furam os olhos. esquecemo-nos, então, muitas vezes de muitas coisas.
mas agora não. eu lembro-me.
desculpa, ó ana, esqueci-me de dizer que tudo o que é meu, é teu. tu estavas aí, olhando para mim, com os olhos redondos e grandes. na água deles, esperavas. esperavas. e eu para aqui absorta nesta mesmíssima vida que se vive. sem saber já o nome das coisas. sem saber já o nome dos lugares das coisas. e como nesses lugares as tuas coisas são-me. foi já há tanto tempo. é por isso. é por isso que me esqueci, querida. mas agora não.
agora eu lembro-me.
tu eras a mais novinha. tinhas para aí onze anos e um dia, chegando a casa, encontraste o zeca. tocava viola. o zeca. e tu, ó zeca, faz lá uma música para este poema. no comboio descendente. que lindo. ias cantando devagarzinho. muito compenetrada. a mãe achava que desafinavas. que importa desafinar, que importa, diz o zeca, o que importa mesmo mesmo é cantar. quem canta seus males espanta, a avó. sempre a avó com os seus ditados. escreve aí, ó ana, quem canta seus males espanta. e tu copiavas, para um caderninho, quem canta seus males espanta num comboio-descendente. canta a conta dos males descendentes, canta, ó ana. para espantar.
que raio de coisa, espantar os males. é que eles estão aninhados numa curva do nosso olhar a dar-a-dar em silêncios muito cheios de águas importantes e zás! uma só canção é quanto basta para os incomodar. depois, sabe-se lá, dão-se em mãos e ossos de mãos noutras mãos e outros ossos de mãos. e dizem adeus-adeus. adeus-adeus, até ao meu regresso. a cada um, um lugarzinho. quero o meu à janela. e eu também. rimo-nos. senta-te aqui.
tens umas mãos magrinhas. os ossos despontam da carne e quando as seguro nas minhas digo, tens umas mãos que os meus dedos percorrem. são mãos de vales e montanhas: aqui é um vale, entre o indicador e o dedo médio. e a pele é tão translúcida e branquinha. e as veias, pequenos riachos. os meus males andam por aí como o comboio descendente. queres espantá-los com a mesma canção que cantavas quando o zeca se sentou na cozinha da tua casa e inventou a música para esta canção-comboio-descendente? tu dizias, vamos inventar uma viagem para nos enxotarmos quando estamos tristes, vamos?, por exemplo, uma viagem descendente-ascendente-descendente cheia de coisas para ver. para os olhos se encherem de coisas para ver e não de águas importantes. os males todos num comboio. e toda a gente entra nele. e toda a gente sai dele. até o zeca. por fim, no fim da viagem. há tanto tempo, ó ana, quase esqueci. mas agora lembro-me.
tinhas para aí onze anos e usavas umas tranças assim meio empertigadas. nunca conseguias chegar sem que o fôlego te faltasse ou a cara tivesse uma cor de pressa. pressa de chegar e ser. foi há tanto tempo, ó ana.
e não é que eu quisesse mas tu dizias-me: deixa-me dizer-te uma coisa importante mesmo, mais importante que as águas dos olhos. assim como um segredo. tu eras a mais novinha e ainda tinhas no corpo aqueles segredos todos que todas as meninas têm na idade dos segredos. depois não. ficamos mais nuas. despidas, quero dizer. vamos largando os segredos e largando os segredos do corpo de menina. então, disseste. disseste-me um segredo.
sabes, eu amo. assim, disseste, com a importância toda de duas tranças empertigadas e um corpo com a cor da pressa de ser. eu
amo
te. e silêncio. e silêncio de olhos aguados importantes. eu
também
amo
te. e também silêncio. silêncio silêncio. dos importantes.
mana,
nos dizíamos, mana, como as nossas avós diziam mana às cunhadas. tão lindo. eram quase sempre meninas para sempre. as nossas avós. nós não. às vezes crescíamos. e o corpo crescia também. despia-se dos segredos todos de menina. e doía. de um mal com importância. também em silêncio. também. é por isso que me esqueci, ó ana, de te dizer o que é meu, é teu.
a mãe, as meninas importantes, as que são mesmo importantes a crescer para mulheres, aprendem a calar. não há nada de novo aqui. já tudo foi, dizia. ó ana, lembras, tu olhavas para mim e eu sabia. dá-me a tua mão. essa mão branquinha de pele translúcida e cheia de veiazinhas como riachos. sim.
silêncio. o meu corpo é igual ao teu. pois é. e tem os mesmos altinhos. e quando nos abraçamos muito eu sinto os teus altinhos. que lindo. a tua barriga faz assim um balão. quando respiras esse balão incha contra a minha barriga. eu sinto-te na minha barriga. quando embarrigarmos assim de maridos eu quero sentir a tua barriga de balão de marido na minha. quando embarrigarmos as duas vamos ter um filho de homem dentro. e como é que isso é? não sei. acho que é de amor. eu amo. te. achas podemos embarrigar de marida? acho que não, ó ana, acho que é só de marido. acho. mas os nossos filhos vão ter mãos pequeninas e branquinhas de pele traslúcida de veiazinhas azuis e agarrar as nossas mãos. e ter caras de pressa de ser. como tu. ainda bem que são nossos.
que estranho agora. as mulheres na rua empurrando carrinhos com filhos dentro. páram para olhar os filhos de umas. e de outras. e dizem o meu. de si para si, o meu é mais lindo. e tem as mãos mais branquinhas. esquecem-se dos homens. as mulheres. embarrigam umas das outras. parece. eu conheci um homem que dizia o nosso filho. a mulher também. mas eram alemães e a gramática dos filhos em alemão é diferente. e às vezes, quando oiço os homens conversar penso, o que é que os homens conversam, quando conversam sobre barrigas com filhos dentro. um diz, eu queria mesmo é embarrigar como ela e criar leite como ela e dar de beber o meu leite todo como ela. os outros olham de fora. olham de fora para ele. pensam exactamente a mesma coisa. mas não dizem. é silêncio. não dizem segredos assim. como ele. ficam com os segredos todos no corpo. por isso às vezes acho que os homens ficam com esses meninos todos no corpo todo. alguns. os dos segredos, digo.
tu dizias-me, achas que eu vou dizer amo-te como um segredo a um homem. e deixar crescer na barriga uma barriga de homem todo. não sei. deixa lá, conta-me a mim. conta. mas tu não podes embarrigar de mulher. só de homem. não faz mal. faz, faz.
como é que se faz para entrar mulher toda num corpo de mulher. deve ser devargarzinho. é. porque as mulheres com pressa de ser vêm sempre muito devagarzinho. assim. cheias de caras e de olhos aguados. quando me deito aqui contigo no topo desta nespereira penso, não há nada mais com tanta pressa que uma nêspera. é um fruto muito urgente. a carne é quanto baste. e lá dentro tem tantas, mas tantas sementes. é como nós. pois é. eu tenho muitas sementes urgentes dentro de mim. eu também.
anda, vamos cuspir caroços em cima das cabeças destes homens importantes que passam ali em baixo cheios de pressa. ah, mas não é pressa pressa. pois não, é pressa não importante. é pressa de passar. só. pois é.
devargarzinho. a tua mão braquinha na minha. os teus altinhos são como os meus. e na pele vêem-se os riachos azuis. são as veias. mas lá dentro não é azul. chiu, pois não, é vermelho. escuro. como as rosas. sabes que as mulheres têm uma rosa dentro. sei. eu já espreitei a tua. cheirava bem. mas não cheirava a rosa. pois não. cheira a mulher.
ao que é que as mulheres cheiram. cheiram a leite. e a fatias douradas como a avó. a minha quando me lembro cheira a bolinhos.
as mulheres cheiram a doce.
conta lá outra vez, quando eu chegava e vinha com duas tranças empertigadas e a cara de pressa de ser. está bem.
(continua)